Como a tecnologia pode melhorar a educação brasileira?

Você sabe quantas edtechs existem hoje no Brasil? Para responder essa e outras perguntas, a Abstartups junto com o Comitê de Edtech acaba de lançar um mapeamento que identifica as tecnologias educacionais do país. No estudo, foram mapeadas 364 edtechs. Esse é um número representativo não só para o setor, se pensarmos que a educação também está em 1º lugar entre o mercado de atuação das startups com 7,8%.

Outro dado importante desse estudo, mostra que 73% dos estados brasileiros possuem no mínimo 3 edtechs. Isso é positivo ainda que um negócio difícil onde o empreendedor de educação antes de tudo, tem que acreditar no poder de transformação de suas ações. Quer ver o estudo completo? Acesse aqui o mapeamento.

Isso me fez lembrar de uma conversa que eu tive em uma feira de tecnologia educacional com mais de 177 startups com uma secretária municipal de educação que, perdida em meio a tanta novidade, me perguntou assustada se toda essa inovação estava de fato revolucionando as escolas.

Aproveitei a oportunidade para chamar a atenção da gestora pública para o impacto da tecnologia na educação. Expliquei que a associação Brasileira de Startups conta com uma base de mais de 300 empresas de educação que estão revolucionando as escolas de elite no Brasil. O ensino de ponta inclui por exemplo: aulas de programação de software, robótica e plataformas capazes identificar a dificuldade pedagógica de cada aluno de forma personalizada, apresentando videoaulas para suprimir qualquer deficiência do estudante que tenha ficado para trás. Entretanto, toda essa tecnologia tem aumentando o abismo de qualidade entre as instituições públicas e particulares de ponta. A pesquisa “Nossa escola em (re)construção”, desenvolvida pelo PORVIR/Instituto Inspirare com 132 mil alunos de 13 a 21 anos de todas as regiões do Brasil, aponta que o maior desejo dos jovens é usar tecnologia fora do laboratório de informática.

Apesar do apelo, o Ministério da Educação e as secretarias municipais e estaduais ainda não entenderam o recado. As startups reclamam que o governo poderia melhorar exponencialmente a qualidade da educação e ao mesmo tempo economizar recursos, como ocorreu com o uso da plataforma de estudos Geekie Games.

A plataforma foi parte de um programa oferecido pelo Ministério da Educação e pelo Serviço Social da Indústria (SESI) intitulado Hora do ENEM que visava a qualificar os estudantes para o temido Enem. Ela mudou a preparação dos alunos, em especial os de escolas públicas e de famílias carentes, por oferecer educação gratuita e personalizada. Isto serviu para diminuir de forma considerável a quase intransponível barreira que separa quem está na rede privada de quem está na rede pública. Os alunos do último ano do ensino médio tiveram acesso a um conjunto de videoaulas, a exercícios e a um plano de estudos moldado aos  seus interesses, que levava em conta a realidade educacional e as metas de cada um. Tudo isso, repetindo, de forma gratuita.

O Hora do ENEM atraiu mais atenção dos vestibulandos que utilizam durante mais tempo o sistema do que redes sociais como Facebook, Twitter ou Instagram. Em média, alunos que usaram o Geekie Games, no programa Hora do Enem, dedicaram 57 minutos diários aos estudos – já o padrão nacional para o Facebook é de 44 minutos diários e do Instagram, de 12. Os dados são de uma comparação feita entre números de uma pesquisa sobre redes sociais elaborados pela empresa SimilarWeb e informações levantadas pelo Geekie Games.

Em 2016, o projeto contribuiu para melhoria de 72 pontos no desempenho acadêmico e impactou 4,5 milhões de alunos usando menos de 0,0001% dos recursos que seriam necessários para ter o mesmo efeito sem uso de tecnologia. Entretanto, o programa foi abandonado em 2017 por falta interesse político, deixando milhões de alunos desamparados.

Enquanto a elite brasileira que estuda na escola privada avança no ensino e garante a sonhada vaga em uma universidade, o aluno de escola pública é negligenciado por falta de compromisso de seus gestores.  Por exemplo, há uma quantia substancial de recursos já existentes do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) que são suficientes para transformar a educação no Brasil. Para isso, falta ajustar o modelo de compra, incluindo novos produtos didáticos, para permitir que as escolas públicas usufruam da tecnologia das startups e assim possam dar oportunidade de vida para todas as crianças e jovens.

About the Author:

Daniel Machado
Daniel Machado Ativista e empreendedor educacional, fundador do Coleguium a maior rede de educação básica de Minas Gerais, fundador da Imaginie uma das 10 maiores empresas de tecnologia educacional do Brasil, sócio do grupo Eleva e Diretor de educação da Associação Brasileira de Startups.