Lean startup: entenda o conceito e ferramentas correlatas

 

Conforme você vai se informando a respeito de como abrir uma empresa, certamente alguns parâmetros se tornam muito conhecidos. Mesmo sem ouvir essa expressão, o conceito de lean startup certamente é um deles.

É claro que a Abstartups não vai te deixar na mão e vai te explicar direitinho o que significa esse conceito. Mas, antes, nós temos que te fazer uma pergunta. Bem simples. Não precisa se assustar.

Você gosta de ler?

Caso a resposta seja “sim”, você pode ler esse texto e, caso se interesse, se aprofundar ainda mais no assunto. 

“The Lean Startup”, de Eric Ries

Sim, é isso mesmo. Todo o conceito que você vai conhecer a partir de agora surgiu a partir de um livro. 

Publicado em 2011, o livro trouxe uma série de ensinamentos, métodos e práticas para deixar qualquer startup mais efetiva. 

De tão importante, o livro passou a ser um dos livros de cabeceira de qualquer empreendedor. 

A Abstartups, inclusive, recomenda fortemente que você, de alguma forma, leia o livro.

Não só pelos ensinamentos, por sinal. Vale, também, por quem o escreveu.

Eric Ries é um dos gurus do mundo das startups. Mantém um conhecido blog sobre o segmento, o Startup Lessons Learned. Vale a visita. O layout é meio vintage, mas o conteúdo é excelente.


(Tá, tudo bem, você venceu. O layout não tem nada de vintage, é estranho, mesmo)

Formado em Yale, uma das universidades mais conceituadas dos Estados Unidos, ele fundou a IMVU, um portal em que você cria um avatar em 3D e interage com outras tantas pessoas.

Ou seja: ele sabe o que tá falando. Não tem motivo para não ler a publicação.

Resume aí, pô!

Embora a recomendação seja feita, a gente entende que não é todo mundo que pode comprar The Lean Startup. Ou que não gosta muito de ler livros mais extensos e técnicos. 

Pois então, é o nosso papel falar um pouco do conceito para você. E não vamos fugir disso. 

Antes disso, uma pequena aula de inglês.

Na língua do Tio Sam e da Rainha, “lean” significa algo como “magro” ou “enxuto”. E isso tem tudo a ver com o ensinamento de Eric Ries.

Não, o seu peso não tem absolutamente nada a ver com a sua empresa. Desde que você seja saudável, essa não é uma preocupação que você deve ter.

Aqui, a grande mágica é entender em qual área a sua empresa não está sendo eficiente o suficiente.Ou seja: onde ela está desperdiçando dinheiro.

Isso, como você deve imaginar, não é uma tarefa tão simples assim. Exige estudo, conhecimento e, inclusive, agilidade.

Sim, agilidade. Afinal, você não vai querer ficar desperdiçando dinheiro durante muito tempo, né?

Já estudo e conhecimento são importantes para identificar tais gargalos. Aquele “feeling” de empreendedor que conhece a própria empresa é muito válido aqui.

Pegue todos os dados relativos à produção, à venda e ao pós-venda da sua empresa. Tente entender o que eles dizem. Esse já um excelente começo.

O que isso significa?

Aqui, vale citar uma frase do livro que é quase que um mantra quando falamos de lean startup:

“Any additional work beyond what was required to start learning is waste”

Calma, pode ficar tranquilo. Aqui vai a tradução:

“Qualquer trabalho adicional além do que era necessário para começar a aprender é um desperdício”

Sim, a frase é dura. Mas é o conceito em estado puro.

Também é interessante trazer o contexto mais detalhado do momento em que essa frase foi dita, porém. Mas sem inglês, é melhor.

“A lição do MVP é que qualquer trabalho adicional além do que era necessário para começar a aprender é um desperdício, não importa o quão importante ele tenha parecido na época”

Não mudou muito, eu sei. Mas… MVP?

O que raios é MVP?

Se você acompanha esportes americanos, a sigla não lhe é estranha. 

Na NBA e na NFL, por exemplo, MVP significa “Most Valuable Player”. Ou seja, o melhor jogador de uma temporada ou de uma final.

Embora o significado da sigla, no mundo corporativo, seja bem diferente, ela é tão importante quanto um Tom Brady ou um LeBron James.

Basicamente, o MVP é um protótipo do seu produto, lançado em algo que equivale a uma versão beta.

Sim, as chances dele ter erros é muito grande. Ao mesmo tempo, ele é lançado para um grupo restritíssimo de pessoas, que vão passando os feedbacks para a equipe de operação.

Aqui, querendo ou não, é difícil fugir do bom e velho método da tentativa e erro.

Esse espírito, por sinal, está presente no próprio significado dessa sigla.

MVP

Nas startups, MVP é “Minimum Viable Product”. Em tradução livre, “Produto Mínimo Viável”


Também te desafio a acertar quem criou esse conceito. Sim, ele mesmo: Eric Ries, no livro “The Lean Startup”. Acho que você já ouviu falar dele por aqui.

Também é importante voltar um pouco. Mas calma: é para o seu bem.

Outro passo muito importante em uma startup é o modelo de negócio dela. Trabalhe com algumas até chegar na versão final dela. E apenas nesse momento parta para o MVP.

É um momento delicado, sabemos. Mas, no fim, você vai se sentir tão poderoso quanto Brady ou Lebron. E essa sensação é maravilhosa.

Temos mais algumas coisas pra te falar. Mas, daqui em diante, os conceitos vão ser em português. Você já viu e ainda vai ver muita coisa em inglês.

Validação de hipóteses

A definição de hipótese é tão bonita que chega a ser poética. “Suposições de algo que pode (ou não) ser verossímil”.

O importante, aqui, é a prática. Nós, obviamente, iremos a ela. Mas, antes, outra coisas tem que ficar clara.

Assim como no MVP, as chances de errar nessa fase são imensas. O importante, na realidade, é o aprendizado. São eles que podem (e devem) gerar aquelas ideias que podem fazer tudo dar certo na sua startup – ainda que faça ela sair completamente do planejado.

É possível (e importante) validar hipóteses sobre diversas situações.

Sobre clientes, por exemplo. Ele é interessante para o seu público-alvo? Ele resolve problemas e soluciona dores?

Fatores externos, o produto em si e a validação da própria solução também são importantíssimos de se avaliar. Não descanse nem saia dessa etapa enquanto não ficar 100% seguro nesses aspectos.

Métricas: é hora de medir o resultado

Você leu todo esse material e já está colocando o seu bloco na rua – ou melhor, a sua startup em operação.

Agora, você precisa ficar atento aos resultados. E, para isso, existem uma série de métricas para verificar os números alcançados.

Caso você pare para ler sobre métricas de uma startup, cada material vai ter diferentes métricas e coeficientes para ficar de olho. Aqui, separamos algumas delas.

  • Metabolismo

Vamos dizer que, aqui, vale o bom senso e o feeling. Se a sua startup avançar rápido demais e quiser abraçar o mundo, ela fica instável – o que nunca é positivo

Caso ela aceite passivamente as mudanças do mercado, sem tentar nada de novo, ela deixa de ser competitiva. 

O ideal, como você deve imaginar, é o meio-termo. E, para isso, falamos o que você precisa no primeiro parágrafo dessa métrica.

  • Rentabilidade

Essa palavra, tão comum no mundo dos negócios, pode ser explicada facilmente aqui.

Mais do que isso: você só precisa fazer uma conta.

Divida o lucro pelo valor do investimento inicial para abrir a sua startup.

Quanto mais longe do 1, melhor. E para cima disso, obviamente

  • Burn Rate

Outra conta simples. Essa, porém, nós não esperamos que você faça. Ela, por vezes e infelizmente, acontece.

Quando seu fluxo de caixa está negativo, você contabiliza a o quão grave é a situação.

Se você gastou R$ 15 mil e o negócio rendeu R$ 5 mil, você terá um burn rate de R$ 10 mil.

  • Receita Recorrente Mensal

Conhecida pela sigla MRR (do inglês Monthly Recurring Revenue), essa métrica é, basicamente, a soma de todos os valores que entram mensalmente na sua empresa. E só isso.

Ou seja: nada de adesão, taxas de multas e por aí vai.

A métrica é importantíssima para verificar o quanto o fluxo de caixa regular da startup está em dia

  • Custo de Aquisição de Cliente

Aqui a conversa é específica para o marketing da startup.

Isso porque a conta a se fazer, aqui, envolve o custo dessa área em relação aos novos clientes.

Some tudo o que você gasta com o MKT e divida pelo número de novos parceiros. 

Reduzir o CAC é algo importantíssimo, mas é sempre bom destacar que a redução de custos nessa área não é algo desejável. A eficiência, sim

  • Lifetime Value

Traduzido, temos algo como “Valor do Tempo de Vida do Cliente”. A sigla, aqui, é LTV.

Primeiro, é necessário verificar quanto tempo, em média, cada cliente fica na sua carteira. 

Depois, calcule quanto cada um de seus parceiros costuma investir no produto/serviço da sua startup. Multiplique esses valores.

O LTV é importante para verificar quanto, a cada novo cliente, é possível investir no negócio.

Sim, a gente sabe que ler sobre métricas não é algo tão simples assim. Tantas contas e números, por vezes, não são as coisas mais fáceis de se digerir assim de uma vez.

Mas tudo isso é importante para o futuro da sua startup. E muito.

Essas métricas, por si só, são importantes para você gerir a sua empresa. Elas também podem (e devem) te dar insights para o futuro.

Por fim, também é possível cruzar informações obtidas em cada uma dessas métricas e ter ainda mais ideias e visão do mercado e, também, da instituição que você dirige.

Falou em lean startup, falou em Abstartups

A nossa função é ajudar empresas de tecnologia. Sejam elas “leans” ou não. 

Com conteúdo, networking, eventos e insights, queremos estar próximos do mercado. Então, se você leu o conteúdo, isso te inclui.

Lean ou não, uma startup merece todo o cuidado e atenção.  E nós somos especialistas nisso e queremos te ajudar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

About the Author:

Ana Flávia Carrilo
Apaixonada por escrita, comunicadora por nascença e formada em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Acredita no acesso a informação como forma de transformação social. Atualmente, faz parte da equipe de comunicação da Associação Brasileira de Startups, ajudando a desenvolver o ecossistema empreendedor brasileiro.
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