A integração entre grandes empresas e startups como ferramenta de fomento à inovação

A inovação é a principal fonte de geração de valor no setor produtivo e na sociedade. Ela pode vir com o desenvolvimento de um produto novo ou aprimorado, que entregue mais valor ou resolva um problema de um cliente; de um novo processo, que aumente a produtividade ou reduza os custos de uma empresa; ou de um novo modelo de negócios, que cria um mercado que antes não existia.

Historicamente, a execução da inovação, o trabalho de levar o desenvolvimento científico e tecnológico ao mercado e colocá-lo à disposição da sociedade através de novos produtos e serviços, sempre esteve a cargo de grandes empresas, que dispunham de recursos financeiros e humanos para essa tarefa. Nos últimos anos, o crescimento da internet, das tecnologias digitais – incluindo a recente onda da internet das coisas – e de ferramentas como a impressão 3D criaram um ambiente propício para uma nova revolução: pequenos empreendedores que, com conhecimento técnico apurado e muita inventividade, lançam novas tecnologias e modelos de negócio que revolucionam setores tradicionais estabelecidos e até criam mercados inteiramente novos. Marcas globais como Google, Facebook, PayPal, Tesla, Uber e Airbnb começaram dessa forma há alguns anos, como startups, e hoje figuram entre as empresas mais valiosas e inovadoras do mundo.

A atuação de grandes empresas com corporate venture é uma estratégia fundamental para aproximar esses dois mundos. É uma forma de as companhias estabelecidas acompanharem essas transformações participando ativamente delas e inovando junto com as startups, que têm mais agilidade e disposição para assumir os riscos intrínsecos ao processo de inovação. Para as startups esse processo também traz benefícios, uma vez que as grandes empresas podem aportar os recursos necessários para o desenvolvimento de novos produtos e serviços, colocar sua experiência e credibilidade para minimizar os riscos do processo e alavancar rapidamente os negócios das empresas iniciantes como parceiro ou cliente nas etapas iniciais de desenvolvimento ou de entrada no mercado.

O mapeamento aqui apresentado pela Harvard Business Angels do Brasil vem em um momento crucial para alavancar esses investimentos e promover uma aproximação mais efetiva entre grandes empresas e startups. Embora o Brasil já tenha algumas boas experiências de corporate venture, essa interação ainda é tímida, por isso é hora de darmos um impulso definitivo a essa relação. O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) atua hoje com dois projetos estruturantes nesse sentido que atendem diretamente alguns dos problemas apontados no estudo.

Um dos principais apontamentos da pesquisa é que a maior parte das grandes empresas buscam investir em startups mais desenvolvidas, em estágios posteriores de maturidade (tração e escalabilidade), e relatam dificuldade em encontrar empresas que satisfaçam seus requisitos, tanto em relação ao grau de maturidade quanto na qualidade dos produtos e soluções oferecidos. O InovAtiva Brasil, realizado pelo MDIC desde 2013, é o maior programa de aceleração de startups do país, vencedor em 2016 do prêmio de Melhor aceleradora em votação realizada pela Associação Brasileira de Startups. Em quatro anos, mais de 410 empresas inovadoras iniciantes de quase 20 segmentos e de todas as regiões do Brasil passaram por quatro meses de capacitação, mentorias individuais e um evento final de conexão com potenciais investidores, clientes e parceiros. Até o final de 2017, serão realizadas mais duas edições que irão acelerar outras 250 empresas. Dessa forma, as grandes empresas com uma estratégia de corporate venture têm no InovAtiva uma fonte confiável e abundante de startups selecionadas e qualificadas dos mais diversos setores da economia.

Além disso, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que é parte do Sistema MDIC, desenvolve o Programa Nacional de Conexão Startup Indústria (https://startupindustria.com.br/), que irá aportar recursos para alavancar os investimentos, parcerias e negócios de grandes empresas do setor industrial com startups de todo o país, promovendo a integração digital das diferentes etapas da cadeia de valor dos produtos industriais.

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Artigo publicado originalmente no Blog InovAtiva Brasil

By |janeiro 3, 2018|Equipe e cultura|

About the Author:

Marcos Pereira
Marcos Pereira é Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).