Comunidades de startups e cultura popular, qual a relação?

 

Antes de mais nada e se eu te perguntasse, o que é uma comunidade, o que você me responderia?

Respire fundo. 

Pare por alguns instante. 

Agora pense em cinco palavras que possa ajudar nesse definição. Provavelmente palavras como: grupo, pessoas, colaboração, valores, sinergia, propósito estão nessa sua lista.

O termo comunidade ainda é usado para denominar uma forma de associação muito íntima, um grupo altamente integrado em que os membros encontram-se ligados uns aos outros por laços de simpatia.”

Fonte: signficados.com.br

 

E essa é uma das questões mais fortes nas discussões sobre como desenvolver comunidades: como fazer a passagem de bastão de uma liderança para outra? como criar uma comunidade que se sustente?

E foi com essa inquietação que comecei a olhar com encantamento e respeito a cultura popular, em especial o Bumba Meu Boi do Maranhão. Em junho, a ilha de São Luís se transforma, é quando começam os arraiais em homenagem a São João. É nesse momento que as companhias de bumba meu boi entram em cena e transformam a ilha em uma grande festa. Essas companhias, ou melhora batalhões (como são chamados) são na verdade, comunidades ativas e sustentáveis que trabalham ao longo de vários meses do ano para as apresentações do mês de junho. Diversas em suas essências e com valores em comum, dezenas de pessoas, representam a ancestralidade cultura maranhense. 

E ah, antes de continuar, coloque os fones de ouvido e sinta seu coração vibrar e entenda um pouco do que estou falando:

Novas referências, lugar de aprendiz e uma comunidade de 132 anos

Já parou pra pensar quais são as tuas referências como community leader? E já parou pra ver quais são as lideranças da tua região? Foi com essas questão que me propus me colocar no lugar de aprendiz e foi assim que tive a oportunidade de conversar – no meio da festa mesmo – com o líder de uma dessas comunidades, foi então que descobri que existe um batalhão, do Boi de Juçatuba em 2019 completou 132 anos de existência.

Eu fiquei surpresa, feliz, encantada, quase que em êxtase, e pensando o quanto de conhecimento e boas práticas essas comunidades acumularam ao longo de tantos anos. E foi então que comecei a me questionar:

  • Como as pessoas se organizam?
  • O que faz elas serem tão engajadas? 
  • Como faz pra fazer parte?

Como uma observadora superficial de uma cultura tão complexa e ancestral, eu ainda não tenho as respostas. Sigo observando e vivendo essa festa todos os anos, mas com o que pouco que já vi, percebi alguns pontos importantes e quero compartilhar com você.

A importância das pessoas e ferramentas para deixar claro a função de cada um:

  • O amo, é o principal cantor. Ele é o  líder, ele quem dita o início, o fim e o ritmo de cada música durante as apresentações. 
  • As roupas,  que brilham e encantam, são o símbolo de muito trabalho intelectual e criativo de meses de construção coletiva. 
  • A dança que é definida pelo gingado dos personagens como as índias, caboclo de pena e vaqueiros e aqui existe uma diversidade enorme, o que garante trocas genuínas.
  • A matraca é uma dos instrumentos que faz a música, ela é um instrumento rústico composto basicamente de dois pedaços de madeira e que não requer treinamento prévio e isso faz com que qualquer pessoa possa participar de forma ativa durante a apresentação. 

Olhando tudo aquilo, eu pensei, é como se…

  • O amo fosse as pessoas community leaders.
  • As roupas fossem o símbolo dos talentos e do trabalho intelectual das universidades.
  • A dança seriam as startups, que devem ser diversas e que marca
  • A matraca  é a ferramenta de oxigenação que permite que ocorra a colaboração.

Inclusão radical e o poder da matraca

                                                                                                   A felicidade que a matraca trás. Foto: @ruybarros_

 

Olhando toda a beleza que são as apresentações dessas comunidades, a magia que arrepia e encanta, percebi a importância da matraca, ela é o elemento que atrai e inclui, a sua simplicidade faz com que você pegue uma e depois de observar um pouco, logo aparece alguém pra te ensinar os primeiros passos e sem alguém trás as mensagem “que bom que você tá construindo esse momento com a gente”.

E aí eu te pergunto, qual a ferramenta, similar a matraca, a tua comunidade pode desenvolver para ser mais?

                                                                                                                                                   Encontro de bois. Foto: O Imparcial 

 

 

Fontes:

Como o bumba meu boi se tornou patrimônio da Unesco – NEXO

Uma Conversa sobre Bumba-Meu-Boi no Maranhão

Expedições apresenta o Bumba-Meu-Boi do Maranhão

 

Para se encantar:

Série de fotos mostra porque o São João do Maranhão é apaixonante – Sobre o Tatame 

São João do Maranhão 2017 – Cultura Popular Maranhense – Ruy Barros

Bumba boi – Márcio Vasconcelos 

By |junho 18, 2020|ABStartups, Comunidades|

About the Author:

Lai Amorim
Lai Amorim, trabalha com desenvolvimento de comunidade desde 2016, foi a líder organizadora do primeiro startupweekend do Maranhão (sua terra natal) e é uma das fundadoras da SOLuíses, que é a comunidade de startups de São Luís. Encara a vida como uma grande experimento e por isso, é uma pessoa nômade que busca sempre experimentar diferentes culturas. https://www.linkedin.com/in/amorimlaiza4