Coletiva de Imprensa: não recomendamos

Imagine que sua marca irá anunciar para o mercado um aporte. Vamos trabalhar com o valor de R$ 1 milhão. É claro que essa é uma notícia interessante e pode gerar mídias relevantes. Porém, caso você, caro empreendedor, tenha pensado em apostar na estratégia de coletiva de imprensa (ou seja, ação de reunir o maior número de jornalistas para fazem um anúncio inédito simultaneamente para grandes veículos de comunicação), pode desistir dessa ideia.

Em meu último texto aqui, trouxe alguns números sobre o mercado editorial e eles não foram lá muito animadores. Veículos fecham as portas a todo momento ou apostam em apenas um modelo de atuação (o digital). Portanto, há uma diminuição gradual também dos profissionais de comunicação desses jornais/sites/revistas. Com isso, há um aumento da carga de trabalho e, consequentemente, menos tempo para “comparecer a eventos”, como as chamadas Coletivas de Imprensa.

Além disso, não recomendamos realizar tal ação pelo risco de um investimento sem retorno e uma enorme chance de frustração, visto que mesmo que alguns jornalistas confirmem sua presença ou interesse, não há garantia de que de fato irão comparecer. E quando, na melhor das hipóteses, eles comparecem, não podemos afirmar SE e COMO irão publicar matérias sobre seu anúncio.

Sei que pareço desanimador com essas afirmações, mas nosso papel, enquanto especialistas em comunicação, é também mostrar como, de fato, funcionam os bastidores dos veículos e a rotina atribulada dos jornalistas. Mesmo grandes startups, mundialmente conhecidas, não apostam suas fichas em Coletivas, justamente por entender a fundo o fluxo da área de comunicação.

Agora aposto que você deve estar pensando “Ok, entendi. Mas como posso fazer para me comunicar com os grandes veículos?” Uma boa estratégia é trabalhar com uma Exclusiva. Essa atividade consiste em levantar todas as informações relevantes do assunto em questão, pegar números de mercado que possam ser divulgados (e mostrem um real impacto no setor), escolher UM grande veículo e seu jornalista que escreva sobre o segmento e propor, para esse profissional, acesso à notícia antes de todos os outros.

Dessa forma, será possível se aprofundar no anúncio, fazer fotos de divulgação, dar entrevistas, mostrar melhor seu mercado e, claro, dar enfoque para a atuação de sua startup. Portanto, se você ainda não é uma gigante como a Amazon, por exemplo, e não está sendo realmente disruptivo, desista da ideia de Coletivas de Imprensa e aposte no velho ditado “poucos e bons”, para atuar com Assessoria de Imprensa.

About the Author:

Bruno Pinheiro
Com 13 anos de experiência em assessoria de imprensa, Bruno já trabalhou no atendimento de contas como BuscaPé, Fox, VivaReal, Qranio, EasyTaxi, boo-box, Samba Tech e Evernote. Já participou de grandes anúncios no mercado brasileiro e conduziu o lançamento de mais de 100 startups nos últimos 6 anos. Bruno Pinheiro é fundador da PiaR Comunicação, assessoria de imprensa de 35 startups no Brasil.