Cultura startup: muito mais que um trabalho

 

Trabalho, trabalho, trabalho. Pode parecer estranho para quem chega aqui pela primeira vez, mas não falamos só disso por aqui. A cultura startup também é muito valorizada.

Ué, mas como assim? Eu não tô no site da Abstartups? Os empreendedores não devem respirar trabalho e transpirar eficiência?

Sim, é exatamente isso. Mas existem uma série de maneiras diferentes de chegar a esse resultado. E é exatamente sobre isso que falaremos nesse texto.

Afinal de contas, embora o salário no quinto dia útil seja muito valioso, em pleno século XXI, trabalhar só pelo dinheiro não deve ser a regra.

Passe a considerar, também, outros conceitos. Liberdade criativa, multidisciplinaridade, propósito e ambiente estão entre eles.

Sem querer, já adiantamos boa parte das palavras-chave que nortearão a leitura. Então, para ajudar, vamos começar com outra: cultura.

Um outro nome que você já deve ter ouvido

Vamos tentar tirar um pouco o foco da expressão cultura startup. Para quem está ainda sem tanta experiência com a própria empresa, ela, de fato, pode assustar um pouco.

Mas, ao ler sobre como abrir seu negócio, provavelmente você já deve ter ouvido falar de cultura organizacional, certo?

Esse conceito é amplo e cabe ser estudado. Ele diz respeito, entre outros motivos, ao ambiente, ao clima, ao pensamento e aos padrões de uma instituição. 

(Ou à falta de padrões, claro. Pensar fora da caixa é algo cada vez mais desejado no mercado de trabalho nos dias de hoje)

Pois bem. A tão falada cultura organizacional, nada mais é, do que a cultura startup. Mas, acredite: por estar no contexto de empresas de tecnologia, ela pode ter muitas diferenças.

Tá, mas… como criar a minha cultura startup?

Como muita coisa na vida, não existe uma fórmula certa para criar o seu próprio modelo. Arriscar é importante, acredite. Mas não deixe de seguir algumas dicas.

Portanto, é importante, sempre, levar em conta uma série de questões. A começar por você mesmo. O empreendedor não pode ser colocado de fora dessa fórmula.

O que você gostaria de mostrar ao mundo? Qual seu estilo? Seu jeito de se comunicar? Seus pensamentos? Isso tudo deve ser levado em conta.

Qual o perfil de profissional com quem  você gosta de trabalhar? O quanto a vida pessoal é importante? Horas trabalhadas contam? Inspiração ou transpiração valem mais?

Seus colaboradores são pessoas mais alegres e descontraídas? Sisudas? Trabalham melhor de manhã, à tarde ou à noite? Eles gostam de pizza ou de brigadeiro?

(Esperamos que eles gostem de pizza E de brigadeiro. Como confiar em quem não gosta dessas duas coisas?)

Também é interessante compartilhar seus pensamentos com profissionais e pessoas mais próximas. Uma visão diferente é sempre muito válida, sempre.

Uma dica prática: a Netflix, que você certamente conhece, compartilhou sua cultura startup com o planeta. Vale a pena dar uma lida. É só clicar aqui.

Leve em conta absolutamente tudo que envolve a sua empresa para definir a sua cultura startup. Quanto mais observações, maiores as chances de criar um ambiente agradável.

Ambiente? Como assim?

Sim, ambiente. A cultura startup, embora não seja só isso, leva a um resultado prático: o clima na empresa.

Quem já trabalha em uma startup (ou mesmo já teve contato com esse mundo) sabe que uma das principais motivações é, justamente, o ambiente de trabalho.

E é justamente nesse ambiente que muita coisa pode acontecer. Não basta lidar com tecnologia, em uma startup você vai, obrigatoriamente, lidar com pessoas.

É difícil saber se é mais fácil lidar com a tecnologia ou com as pessoas. O que nós sabemos é que é difícil de se lidar com ambas.

Sabemos muito bem, também, que alguns profissionais, pelos mais diversos motivos, não rendem como deveriam. E isso não tem nada a ver com o ambiente proporcionado.

Daqui pra frente, pensamos sempre que o seu grupo de colaboradores esteja integrado à cultura startup da sua empresa. E nós temos que falar um pouco sobre a equipe.

Por exigir bastante e ser altamente desafiador, os colaboradores devem ter algumas características muito especiais. Conheça algumas delas:

Ser multidisciplinar

Em estágios iniciais, assim como boa parte das empresas, uma startup deve ter uma equipe pequena. Menos pessoas, menos custos. E mais trabalho.

Isso, invariavelmente, exige que você aprenda de tudo um pouco. Tarefas que você jamais imaginou executar devem se tornar uma constante na sua vida. Como assim?

Bom, se você é formado em Administração, não se surpreenda se precisar estudar um pouco de como escrever melhor.

Você, engenheiro, esteja pronto para ler um pouco sobre a área da Saúde ou, quem sabe, sobre marketing.

O seu diploma de Direito sempre vai ser útil, mas calcular o fluxo de caixa da sua empresa não está no seu escopo de trabalho da faculdade.

Difícil, não negamos. Um pouco assustador, talvez. Mas, na prática, nada é tão difícil que não possa ser vencido. E você vai vivenciar isso.

Tenha certeza que uma imensa parte das empresas de hoje em dia passou por momentos assim. Pode entrar no clima e na cultura startup sem medo.

Ter sede de aprender

Já falamos desse verbo na característica acima, mas ele tem obrigação de ser repetido por aqui novamente. 

É o seu negócio. A sua empresa. É claro que você pode se inspirar em outros tantos trabalhos, mas quem vai trilhar o caminho da instituição é você, empreendedor.

Você, necessariamente, não precisa seguir um caminho existente. Se você estudou e tem uma ideia convicta na cabeça, siga-a. 

Estar aberto a toda e qualquer novidade, sem preconceitos, é algo que só tem a fazer crescer uma empresa.

Por sinal, ter que se virar com o que tem nas mãos, que, por vezes, não é o mais adequado, é um aprendizado e tanto. 

Até por isso, não deixe nunca de ler, se informar, fazer networking com outros empreendedores das mais diversas áreas.

Por sinal, nós temos uma sugestão de livro para você. Clique aqui e conheça um pouco de uma das publicações mais importantes sobre startups.

Ser judoca

Calma, calma. Você não vai precisar vestir quimono, subir no tatame, aplicar um ippon e buscar a faixa preta. É só uma figura de linguagem.

O primeiro aprendizado (olha ele de novo…) que todo judoca aprende é a queda. E isso é uma lição de vida.

Antes de aprender qualquer coisa, é necessário aprender a cair. Perder. Sofrer. Fracassar. Só assim você vai estar pronto para a faixa preta. 

Entenda a faixa preta como a vitória, ou o conjunto de vitórias que farão de você um empreendedor de sucesso.

Vale ressaltar que a faixa preta nada tem a ver com o número de vitórias ou derrotas. Tempo de tatame, caráter e até mesmo a duração do treino contam.

Entenda a vitória, ou melhor, a faixa preta, como a consequência. Faça o seu melhor, sempre ciente que derrotas podem vir a qualquer momento.

E, acredite: a Abstartups está com você nessa e em todas as batalhas que você tiver nessa jornada.

Ser “fera”

Aqui, não falamos (apenas) da gíria que muitos utilizam para se referir a alguém que é muito bom no que faz.

Um animal se torna invejado por responder rapidamente aos seus instintos e acertar com muita frequência. 

Da mesma forma, um empreendedor fera é aquele que, estudado e capacitado, confia no seu instinto. 

Acredite: em algumas ocasiões, você não vai ter 100% de clareza ao tomar uma decisão. Vai precisar sentir o que a sua intuição diz. Prepare-se e arrisque-se.

Vale ressaltar que, quanto mais experiência (de cultura startup e de vida) e estudo, mais chances de ter um instinto certeiro você terá. 

E, ah! Se achou esse tópico sério demais, pense no seu pai, avô ou alguém mais velho falando “empreendedor fera”. Pode rir, a gente deixa e faz bem.

Ser flexível

Embora tenha suas semelhanças com o fato de ser multidisciplinar, o conceito de flexibilidade é mais amplo. 

Ser multidisciplinar diz respeito, quase que unicamente, à técnica. Temas que você aprende em cursos, escolas, universidades e por aí vai.

Ser flexível é um estado de espírito, praticamente. Então, acredite: tem tudo a ver com cultura startup.

Uma empresa que surgiu há pouco tempo terá uma série de altos e baixos e, também, de instabilidades.

Saber se adaptar a períodos conturbados, com pouco dinheiro ou com pressão de investidores e colaboradores, é fundamental.

Assim como também é muito importante colocar os pés no chão após receber um aporte ou um elogio da equipe ou de quem quer que seja. 

Lidar com picuinhas (olha o alerta de idade de novo), rumores, sensações ruins e tantas outras situações é algo mais do que necessário para um empreendedor.

E o resultado disso tudo?

Pode confiar: ao ler com bastante atenção todo esse texto, você está pronto para criar um ambiente fantástico para que todos sejam mais produtivos e eficientes. 

Com um bom ambiente e uma empresa completamente integrada e com o mesmo pensamento, todos correrão juntos para o mesmo sentido. Nada pode ser melhor que isso.

A motivação de seus colaboradores, por sinal, tem boas chances de ser percebida por parceiros e clientes. Além de tudo, sua empresa será bem vista por esses elos importantes do mercado. E sua relevância e influência, consequentemente, também aumentarão.

Não deixe de pensar e instituir a cultura startup na sua empresa. Porque você só tem a ganhar! 

About the Author:

Ana Flávia Carrilo
Apaixonada por escrita, comunicadora por nascença e formada em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Acredita no acesso a informação como forma de transformação social. Atualmente, faz parte da equipe de comunicação da Associação Brasileira de Startups, ajudando a desenvolver o ecossistema empreendedor brasileiro.