Como dar os primeiros passos no seu processo de validação de problema

Dicas práticas sobre como fazer boas entrevistas

Quando decidi começar a escrever nesse projeto da ABS, a primeira coisa que pensei foi em compartilhar temas ligados à minha vivência empreendedora. Desde que comecei a empreender, há sete anos, nada me inspira tanto quanto conhecer histórias reais de outros empreendedores. Ver as trajetórias (principalmente os erros) de quem também está nessa jornada é uma das minhas maiores fontes de aprendizado e motivação.
Por isso escolhi começar falando sobre validação, um tema essencial, mas que muitos empreendedores ainda pulam ou fazem pela metade. Neste texto, trago algumas boas práticas que usamos no processo de validação da Quark, nossa edtech – startup de tecnologia educacional – voltada para a empregabilidade de jovens da rede pública, por meio do desenvolvimento de habilidades comportamentais.

Antes de falar das práticas em si, é importante entender por que o processo de validação é tão relevante. De forma geral, criar uma startup é muito diferente de criar um negócio tradicional. Em uma startup, existe um produto de base tecnológica, um modelo escalável e, principalmente, algum tipo de inovação — seja no produto, no modelo de receita, no processo ou na forma de entregar valor ao cliente.

Mas, justamente por trazer algo novo, você nunca tem certeza de como o mercado vai reagir. Clientes, usuários e parceiros podem não entender (ou não se conectar) com a sua proposta de cara. É aí que entra a validação: ela ajuda a reduzir riscos e a entender o comportamento real do mercado antes de investir tempo e dinheiro demais em uma solução ainda incerta.

Outro ponto importante é o emocional do empreendedor. É comum que, nos primeiros meses, a gente resista a ouvir críticas ou opiniões externas. Mas validar é o que nos permite sair da bolha, ouvir o mercado e entender se estamos resolvendo um problema real.

Hoje quero falar especialmente sobre as pesquisas qualitativas, uma das formas mais simples e eficazes de iniciar a validação. Elas ajudam a entender melhor as dores, necessidades e contextos do seu público. E, embora pareçam simples, existem boas práticas que fazem toda a diferença para coletar informações realmente úteis.

  1. Cuidado para não enviesar suas perguntas.
    Um erro comum é induzir a resposta do entrevistado. Por exemplo: “Você sabia que 99% das pessoas que não sabem se comunicar têm dificuldade em conseguir um emprego? Dito isso, você quer desenvolver sua comunicação?”. É claro que a resposta será “sim”, porque a pergunta já direciona a resposta do entrevistado. Prefira perguntas neutras, que não pressuponham uma resposta esperada.
  2. Evite perguntas que possam ser respondidas apenas com “sim” ou “não”.
    Se você pergunta “Você sabe o que são habilidades comportamentais?”, a conversa acaba ali. Tente algo mais aberto, como “Em que contextos você já ouviu falar sobre habilidades comportamentais?” ou “Como você percebe a importância dessas habilidades no seu dia a dia?”. Assim, as respostas serão muito mais ricas.
  3. Evite termos técnicos demais (ou em inglês).
    Às vezes, a gente domina um conceito e esquece que o público pode não entender aquele vocabulário. Em vez de “soft skills”, fale “habilidades comportamentais”. Em vez de “PBL”, diga “aprendizagem baseada em projetos”. Quanto mais simples e acessível a linguagem, mais real será o feedback.
  4. Organize as respostas com “etiquetas”.
    Essa foi uma técnica que aprendi durante o processo de validação da Quark e que apelidei de “etiquetas” (talvez esse nem seja o nome real, mas a ideia é a mesma!). Depois de realizar todas as entrevistas, crie categorias para agrupar as respostas. Por exemplo:
  • Boas práticas de sala de aula
    -Dificuldades dos professores
  • Negócios educacionais

Cada categoria recebe uma cor. Depois, releia as repostas e marque cada trecho conforme o tema. Isso ajuda a visualizar padrões e identificar quais assuntos se repetem com mais frequência.

Pode parecer um processo demorado que te afasta da “emoção” de construir um novo produto, mas a validação é um dos passos mais importantes que você pode dar no início do negócio. É o momento de entender profundamente o seu cliente, mapear as reais necessidades do mercado e, a partir disso, construir uma solução que realmente faça sentido.

No fim das contas, validar não é sobre provar que sua ideia está certa. É sobre descobrir, com dados e pessoas reais, qual é a melhor forma de torná-la viável.

Fontes:

Análise de dados qualitativos: https://pm3.com.br/blog/analise-de-dados-qualitativos-como-fazer/
Como evitar perguntas enviesadas em pesquisas: https://vaniabarbosauxr.medium.com/como-evitar-perguntas-enviesadas-em-sua-pesquisa-5f0f0dc5db6e
O Teste da Mãe — livro sobre como conversar com clientes: https://www.amazon.com.br/Teste-M%C3%A3e-conversar-clientes-descobrir-ebook/dp/B07QM7ZS7Q

Colunista ABStartups

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