Da sala de aula à startup

Quando a teoria vira prática.

Muito prazer: sou Fernanda, apaixonada pela educação empreendedora. Como professora, aprendi que falar sobre empreendedorismo é, ao mesmo tempo, inspirador e desafiador. Há anos acompanho a transformação de ideias em negócios, dentro e fora da universidade. Quando falamos em empreendedorismo, muita gente ainda imagina aquela cena de negócios surgindo na garagem de casa. Nos últimos anos, essa visão acabou sendo banalizada por discursos prontos, cursos que prometem fórmulas rápidas de sucesso e uma ideia romantizada de que empreender é só ter coragem. A coragem é importante, claro, mas a realidade é bem diferente: construir um negócio exige conhecimento, disciplina e a capacidade de aprender continuamente.

É nesse ponto que os ambientes de aprendizado mostram sua força: ideias podem evoluir e virar negócios. Sempre digo: a teoria ganha sentido quando é colocada em prática. Um espaço cheio de possibilidades.
Quando os alunos são desafiados a resolver problemas locais, de mercado ou até globais, desenvolvem competências essenciais: analisar cenários complexos e buscar alternativas criativas.

E não é apenas minha percepção. O Fórum Econômico Mundial, no Future of Jobs Report 2023, coloca resolução de problemas complexos, pensamento crítico e criatividade entre as 10 principais habilidades do futuro. E essa visão também aparece no Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2023/24). O relatório mostra que o Brasil está entre os países com maior taxa de intenção empreendedora do mundo, mas ainda enfrenta um desafio: transformar essa intenção em negócios sustentáveis. Vejo isso de perto: jovens cheios de ideias e vontade, mas que precisam de apoio para dar o próximo passo. É aí que o ensino empreendedor e os ecossistemas locais fazem toda a diferença.

Muitas vezes, tudo começa dentro da sala de aula. Já vi projetos nascerem como atividades avaliativas e, pouco a pouco, virarem protótipos, soluções de mercado e até startups incubadas. Esse movimento também acontece em eventos. Acompanhei grupos que, em poucas horas de hackathon, apresentaram pitches e descobriram que podiam empreender. Essas mudanças de postura, de aluno para protagonista, me emocionam. Sempre penso: o comportamento empreendedor nasce no processo de experimentar, errar, ajustar e seguir tentando.

O Brasil tem inúmeros casos de startups vindas de ambientes acadêmicos. E não precisamos ir longe. Em Presidente Prudente, o ecossistema de inovação tem mostrado que o interior também pode ser palco de grandes ideias. Em 2024, o Hackathon Saúde e Bem-Estar reuniu estudantes e profissionais para resolver desafios ligados ao aumento das taxas de vacinação. Neste ano, o Ideathon do Varejo mobilizou lojistas e acadêmicos para pensar soluções para o varejo local. Eu estive lá e vi como esses encontros conectam academia, setor privado e poder público.
Como professora, sei que nosso papel vai além de transmitir conteúdo. Ao propor atividades práticas ou perguntar “como essa teoria resolve um problema real?”, abrimos portas que podem transformar trajetórias.

Transformar experiências acadêmicas em negócios é aprender a resolver problemas, enxergar oportunidades e acreditar na própria capacidade de agir. O espaço acadêmico se torna palco de transformação, onde surgem comportamentos empreendedores que geram impacto.
Quando olhamos para relatórios globais, percebemos que o ensino empreendedor está ligado ao futuro do trabalho, à inovação e à capacidade de transformar sociedades.
A pergunta que sempre deixo aos meus alunos é: qual é o nosso papel? Porque empreender é, sim, um grande desafio. Mas é também a oportunidade de criar futuro.

Esse é o meu propósito. E confesso: é um privilégio poder viver isso tão de perto, como professora e como alguém que acredita no poder da educação empreendedora para mudar destinos.
E para você, qual é o papel da educação empreendedora?

FONTE:
https://www.gemconsortium.org
https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2023

Colunista ABStartups

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