2026: É hora de repensar a sua estratégia de nuvem?

Década de ouro da nuvem pública pode estar chegando ao fim. Startups inteligentes já estão fazendo as contas.

Recentemente, me vi numa daquelas conversas que fazem você questionar tudo que achava óbvio sobre tecnologia. Estava discutindo infraestrutura com um fundador de uma startup que mentoro pela Abstartups e que quebrou o orçamento migrando para uma nuvem pública, quando ele me disse algo que ficou martelando na minha cabeça: “Cara, a gente gastou mais em três meses de nuvem do que gastaria em dois anos com servidor próprio.”

E foi aí que percebi algo que deveria ser óbvio, mas que só fica óbvio depois que você passa por isso: a explosão da nuvem pública no início dos anos 2010 foi revolucionária, mas em 2025 as regras do jogo mudaram [1].

A ressaca da nuvem

Lá em 2010, quando AWS, Microsoft e Google Cloud começaram a dominar o mercado, nuvem era sinônimo de “problema resolvido”. Você tinha elasticidade infinita, pagava só pelo que usava e não precisava se preocupar com hardware. Era o sonho dourado de qualquer startup: foco total no produto.

Mas sabe o que aconteceu? As contas chegaram. E quando elas chegam em escala, a matemática vira de cabeça para baixo. Hoje, 32% do gasto em nuvem é puro desperdício. É dinheiro jogado fora porque é “fácil demais” provisionar recurso e difícil demais otimizar depois [2].

O retorno dos rebeldes

Aqui é onde a história fica interessante. A Netflix, que era a queridinha da AWS nos eventos de cloud, hoje já não tem tanta dependência assim. Se você der uma olhada no blog da Netflix, vai ver que eles criaram uma infinidade de serviços próprios e ainda disponibilizam open source. Não é à toa: eles processam 15% do tráfego global da internet. Imagina essa conta chegando todo mês? [3]

E sabe a DeepSeek? A startup chinesa que virou hype no Vale do Silício? Conseguiu treinar modelos de IA com custos drasticamente menores desenvolvendo tecnologias próprias de infraestrutura. Enquanto OpenAI gastou mais de US$ 100 milhões treinando GPT-4, a DeepSeek otimizou cada centavo.

*A revolução silenciosa da infraestrutura

Sabe qual é o pulo do gato? A manutenção de infraestrutura, que era um pesadelo há 10 anos, hoje está bem mais simples. Terraform transformou infraestrutura em código. Docker e Kubernetes facilitaram tanto a gestão de aplicações que orquestrar containers não é mais ciência de foguetes.

No Brasil, temos data centers excelentes espalhados pelo país. Empresas como HostDime, Eveo, eConsulters, com facilities Tier III em várias cidades do país. E os custos são uma fração do que você paga para as big techs, especialmente quando você escala.

Quando fazer a conta?

Olha, não estou dizendo para todo mundo sair correndo da AWS/GCP amanhã. Nuvem pública ainda faz sentido para:

– Startups em validação (não gaste com ferro antes de ter receita recorrente);
– Empresas com tráfego muito variável;
– Times pequenos sem expertise em infraestrutura.

Mas se você já tem tração, faturamento em dólares ou uma equipe técnica sólida, é hora de fazer a matemática. E a matemática em 2025 está cada vez mais favorável para infraestrutura própria.

O futuro a partir daqui

Falo sempre que é muito importante você planejar o crescimento da sua startup não só baseado nas ondas, mas no futuro delas. E eu acredito que a partir de 2025 vamos ver muito essa questão de empresas que retornam para sua base de infraestrutura própria.

Não porque nuvem é ruim. Mas porque a maturidade tecnológica chegou num ponto onde você pode ter o melhor dos dois mundos: a agilidade da nuvem com a economia da infraestrutura própria.

A pergunta não é mais “nuvem ou não nuvem”. É “que tipo de nuvem faz sentido para o meu momento?”

Fontes:

blog.hussle.tech/the-2010s-the-decade-of-the-cloud

www.2-data.com/knowledge-hub/the-state-of-cloud-costs-in-2025-complexity-growth-and-the-rise-of-financial-accountability

Colunista ABStartups

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